Não sou contra igreja ou religião. Na verdade, tem pessoas que dependem dela para sobreviver. Eu fui uma delas. Mas nunca segui, cegamente, tudo que ela impõe. Afinal, dizem que faço parte da elite pensante do país (já, com essa idade).
Admito que me apoiei na crença de algo superior quando a situação apertava. Mas é ridículo não perceber que tem algo de errado nos limites impostos pelas igrejas.
Fui a poucos dias, numa igrejinha, um pouco escondida em um bairro residencial. Meio obrigada, assisti a missa inteira sem dizer palavra. Escapava uns sorrisos maldosos e uns risos baixinhos durante o sermão do padre de sotaque alemão. Não ria pelo sotaque, que não deixava de ser engraçado, mas algumas coisas ditas por ele não faziam sentido na minha cabeça. Limitações desnecessárias, críticas e comentários conservadores demais. A igreja não funciona para a nossa geração.
As crianças já estão sendo criadas para questionar. E hoje, elas têm a liberdade de fazer perguntas sem a preocupação do repreendimento (é claro que a resposta vem com um pouco de eufemismo). Não é fácil convencer uma criança de que um ser superior rege as ações humanas do céu e ela tem que ser boazinha para um dia se juntar a Ele. Eu, quando pequena, sempre me perguntei por que Ele não descia para fazer uma visita, tomar um café. Pensava que Ele não gostava dos homens.
Com o tempo fui descobrindo como Ele era ao mesmo tempo bom e mau. Como pode algo perfeito ser mau? Eu não conseguia entender. Porque ele nos punia se nós éramos bonzinhos? Porque levava nossos parentes e amigos queridos e mandava chuvas e ventos pra destruir casas?
Nunca tive respostas... Não conseguia perguntar isso para minha avó. Ela ficaria brava. Meus pais não se interessavam muito por assuntos religiosos. Fui tentando formar uma resposta por conta própria.
Conclusão definitiva eu não tenho. Essa foi a principal razão que deixei de freqüentar igrejas e ouvir sermões como quando era criança — está certo que quando criança eu era obrigada —, e passei a criar a minha própria visão de um Deus. O meu é bom, legal, divertido, tolerante, amigo. Discorda de várias coisas que falam Dele por aí e acha que vários homens deviam começar a trabalhar mais e reclamar menos, achando que Ele vai poder resolver os problemas que a gente cria.
Não sei o que vai acontecer comigo depois que eu morrer. Não sei se vou precisar rever os meus atos bons e ruins e ir pra algum lugar ― seja ele para cima ou para baixo ― ou se vou ficar debaixo da terra. Mas estou viva agora e vou aproveitar enquanto tenho certeza disso; e viver o máximo que eu posso, do jeito que me parecer melhor, pois é isso que eu acredito que seja o correto. Essa é a minha fé.

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