Se chover mais um pouco seremos considerados seres aquáticos e não demorará para que brânquias cresçam em nossas peles. Meu guarda-chuva quebrou, meu tênis ficou encharcado, minha barra da calça suja. Uma palavra pode expressar tudo isso: irritante.
Preocupa esse tipo de situação no final do ano. As festas chegando e os turistas tão esperados pelos comerciantes e hotéis não chegam. Afinal, quem viria pra praia com um tempo desses?
Não que em outras regiões esteja muito melhor. 1 dia de chuva em São Paulo levou casas e matou pessoas. Muitas desabrigadas e muitas desaparecidas em novos rios de terra e pedaços de concreto.
Mas não é sobre isso que eu vou tratar aqui. Apesar das minhas pequenas dificuldades em lidar com gotículas de água caindo em mim, o que eu quero avisar a todos que possam estar interessados é a situação dos meus compatriotas em outras cidades do estado.
Itajaí: 80% de seu território está literalmente embaixo dágua."Cenário em Blumenau lembra filme de guerra"
Pessoas desabrigadas estão sendo levadas pra qualquer lugar em que não esteja inundado. Ao menos 78.656 tiveram de sair de suas casas. Foram para casas de familiares ou abrigos. A Defesa Civil pediu doações de água potável, médicos voluntários e dinheiro aos municípios. 106.123 mil pontos estão sem energia elétrica. Estão sem gás e ironicamente sem água para beber. Sem roupas, objetos de higiene pessoal e sem casa.
Já são 99 mortos além de 19 desaparecidos. O número deve aumentar com o passar dos minutos.
O que mais me impressionou na hora de escrever esse texto é que enquanto eu digitava e procurava nos sites os dados sobre a situação, os jornais iam atualizando as informações. De uma manchete para a outra, com menos de onze horas de diferença, subiu 24.617 o número de pessoas desabrigadas e 15 pessoas morreram.
E adivinhe: a chuva continua a cair.
