Depois de algum tempo, percebi que você me faz muito mal.
Com seus momentos de alegria e tristeza mudando abruptamente. Sua insegurança e sua indecisão.
Não acompanho suas mudanças de humor com a habilidade que deveria ter depois de tanto tempo. E acabo pensando que seus momentos ruins são culpa minha.
Eu não o faço mais feliz.
Mas penso que não é isso. Nada tenho a ver com suas frustrações.
Apesar de minhas tentativas de tornar os dias melhores, seus problemas são presentes demais. E só encarando para perceber que com eles você não sairá do lugar.
Sua frustração começa na incerteza do futuro. Dos anos que se passaram sem muito para mostrar. Da dúvida em o que fazer em seguida. Da pressão dos anos passando e da pressão já familiar dos pais, que só esperam o melhor.
Os familiares trouxeram problemas tão vivos e latentes durante esses anos. Cada um deles com suas frustrações e tristezas. Não esconda que eles afetam seus passos. Que parecem amarrar suas pernas e conduzi-las para uma continuidade.
As dificuldades financeiras. Essas afetam o mundo todo, mas o problema é limitar seus sonhos a elas. Ache um trabalho. Guarde. Pare de reclamar que seu dinheiro acaba. Sabe que são impulsos e vontades suas que causam isso. Não pode depender dos seus pais pra sempre.
Não sei se é a preguiça que te impede de se mexer, ou o medo de receber "nãos", de falarem que não é bom o bastante, de que não vai conseguir.
Mas apesar de tudo, eu continuo presa a você. Como um vício.
Mas não para sempre.

Um comentário:
adorei seu texto.
:}
Postar um comentário